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Autor autografando livro

Livro “Restolho”, baseado em experiências reais do Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Escravo, é lançado na sede do MPT PA-AP

Auditor Fiscal do Trabalho Benedito Lima é autor do romance. Evento contou com a presença de representantes da Clínica de Combate ao Trabalho Escravo da UFPA e da Secretaria de Igualdade Racial e Direitos Humanos.

 

Aconteceu na última quarta-feira (29), na sede do Ministério Público do Trabalho PA-AP (MPT), em Belém, o lançamento do livro “Restolho”, escrito pelo auditor fiscal do Trabalho Benedito Lima. No romance ficcional, o autor traz experiências reais vivenciadas pela equipe do Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Escravo, a qual integrou por 11 anos.

O evento foi aberto pelo procurador-chefe do MPT PA-AP, Hideraldo Machado, que atuou com Benedito em várias fiscalizações. Segundo o procurador, a produção dá visibilidade à luta contra a escravidão e à importância da valorização da dignidade humana. “Que este momento sirva de inspiração para que jamais percamos a capacidade de nos indignar diante das injustiças e renovemos o compromisso com a erradicação do trabalho escravo em todas as suas formas”, disse o chefe da instituição.

Antes de falar sobre o livro, Benedito Lima exibiu o documentário “Nos passos do Zé”, produzido por ele juntamente com Márcio Leitão, Gustavo Botelho e Sérgio Carvalho. O filme aborda a história de José Pereira, trabalhador escravizado no Pará, sobrevivente de tentativa de homicídio em 1989, aos 17 anos. O caso Zé Pereira foi levado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos e, em 2003, o Estado brasileiro reconheceu pela primeira vez a existência da escravidão contemporânea em solo nacional e se comprometeu a cumprir medidas de reparação e prevenção à prática, como a criação da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Forçado (CONATRAE), da Lista Suja do Trabalho Forçado, do Plano de Erradicação do Trabalho Forçado e da Campanha Nacional para Erradicação do Trabalho Forçado.

O caso também levou à mudança do artigo 149 do Código Penal, sobre a redução de pessoa à condição análoga à de escravo, que passou a considerar não só a privação da liberdade, mas a importância da dignidade da pessoa humana no reconhecimento da ocorrência de escravidão. “Eu costumo dizer que na gênese do trabalho análogo ao de escravo está o produtor capitalista, mas também o Estado brasileiro”, disse Benedito. Durante sua fala, o autor ressaltou que a liberdade é muito maior que o direito de ir e vir, pois abarca o exercício de todos os direitos que o ser humano necessita para viver dignamente.

O lançamento de “Restolho” contou com a presença de representantes da Clínica de Combate ao Trabalho Escravo da Universidade Federal do Pará e da Secretaria de Igualdade Racial e Direitos Humanos, além de estudantes, procuradores e servidores do Ministério Público do Trabalho.

 

Procuradores do MPT posam para foto com autor Benedito Lima.
Procuradores do MPT posam para foto com autor Benedito Lima.

 

Ministério Público do Trabalho

Assessoria de Comunicação

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